quarta-feira, 25 de julho de 2007

Nonada ou Infelicidade Clandestina

Uma infelicidade clandestina invadiu meu dia
Soturnamente fez-me ter os olhos marejados.
Não bateu, nem pediu licença.
Apareceu sob a forma de dor no peito.

Sintomas de saudade.
Saudade de tudo o que ainda não vi.
Nem vivi, nem senti.

Do passado, restam-me apenas lembranças.

Quero o hoje! Agora! Já!
Quero ser um segundo.
Não existo mais e torno a ser novamente.
Assim como um piscar de olhos.
Nonada...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Suores de amor



Meu coração, quase não se conteve.
Sairia pela boca se não respirasse fundo.

Minhas mãos não sabiam o lugar ideal para esconder o nervosismo.
E quando tocaram as suas, já tinham 40º.

Os lábios se contorciam, para resistir aos seus.
Chega!!
Boca, boca, língua, céu, doce...
Molhados.
Olhos fechados, sabores explorados.

Sede, tremor e desejo.
Explosão de urgências em cada pedaço.
Fome de anteontem.
Lábios nervosos, mãos fervorosas, pernas bambas.
E o coração?
Acelerado...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Declaro morte


Meu dia foi aterroziante.
Todo o tempo, agi sufocando a vontade de ser amável
A cada minuto eu vi uma flor brotar em meu coraçao,
E ser destruída.

Porque tenho que mudar?
Eles venceram?
[Eles sempre vencem?]
[Eles sempre vencem....]

E quanto a mim?
De que me valem canções românticas
Se elas não secam as lágrimas que
descontrolavelmente caem de dentro de mim...

Não! Não! Não!
Não quero essa dor!!
Não vou carregar tanto sentimento.
Declaro minha morte.

Morri para noites estreladas que só me lembram você.
‘Mortinha da Silva’ estou para seus os beijos e
para o desejo incontestável de te amar prasempremente...

quinta-feira, 31 de maio de 2007


As horas se arrastam lentamente.
A existência não justificada, nem explicada
de sentimentos confusos, doloridos é a certeza de
que tudo em mim quer me destruir...

As verdades estão embaixo do tapete.
Quero o silêncio absoluto, para que
mentiras sinceras venham à tona e
garatam a normalidade.

Hoje, tudo envelheceu cedo.
A incerteza de que um lindo dia de
chuva, traga o riso de volta,
me faz sufocar no mar de lágrimas.

E o mar revolto questiona à nau:
- O quão sólido és?

quarta-feira, 30 de maio de 2007

O vento vai dizer

Quero que minha palavra dita
Não tenha um único sentido;
Quero meus versos disformes, intraduzíveis...

Irresponsavelmente quero lançá-los ao vento
Para que eles possam chegar onde nunca fui,
Nem poderei ir...

...sua vida...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Salinização ou Supernova

Amor, amor, amor
Quem és tu?
Porque escolhestes a mim
e meu pobre coração
para te abrigares?

Não és mais bem vindo aqui.
Não vês que, nessa casa,
tudo está perto de explodir?
Corres perigo, falso amigo...

Vá enquanto é tempo
Antes que lágrimas recalcadas
transformem meu coraçao
em solo salinizado.
Infiltrado, inóspito e corrosivo.

Já disse adeus antes.
Agora digo-lhe:
-Some!

quarta-feira, 25 de abril de 2007

In Utero

O que é preciso para viver?
Quais as respostas devemos nos dar?
Ou melhor, quais são as perguntas?
Quanto mais penso, menos sei
Responder... perguntar..

Que doido é viver!
Viver é aprender?
Amar é viver?
Viver é amar?
E antes de tudo??

Quero estar depois do fim
Ultrapassar noites mal-dormidas
Sobreviver a ressacas emocionais
E expelir todo o mal

Estarei só e a sorrir
O riso renovado de quem
Curou-se do cancer

O mergulho no mar salgado...

Se esse mergulho me relembrar
O líquido amniótico, estarei eu
A me perguntar “do que preciso?”
Ou a me responder “do vazio” ?